Várias Formas de Semear o Mesmo Propósito


O dia 14 de junho amanheceu imbuído de benevolência, tolerância e resiliência, principalmente para os participantes do Fórum Inter-religioso de Santo André enquanto se dirigiam ao Teatro Municipal andreense para seu IV evento. Neste ano, diferentemente dos anteriores, organizou-se uma exposição religiosa no saguão do teatro, afim de que as pessoas pudessem interagir com as diferentes confissões religiosas. Estavam ali expostas, com seus ícones e símbolos:  Associação Brasileira de Bruxaria – Casa De Bruxa / Espiritismo / Fé Bahá’í / Grande Fraternidade Branca / Igreja Católica Apostólica Romana / Igreja Evangélica de Confissão Luterana / Islamismo / Umbanda / Xamanismo.  Infelizmente Seicho no Ie e Candomblé não puderam estar presente durante o dia em razão de problemas de particulares.

Além da exposição, tivemos a formação de três rodas de conversas com temas atuais e relevantes envolvendo a religião, com participação intensa e proveitosa dos presentes. Para o tema “Meio ambiente” foi convidado o Profº Murilo Andrade Valle, discorrendo brilhantemente sobre a responsabilidade social, não apenas da sociedade, mas também das religiões e que  ações são e podem ser tomadas nessa direção.  O tema “Resiliência em tempos de caos” foi abortado de forma envolvente pelo convidado Humberto Loboda Fasoli, quando provocou os presentes a se expressarem sobre a forma como compreendiam essa palavra (tão usada ultimamente).  Foi uma hora inteira de informações e questionamentos muito importantes, envolvendo sociedade, religião e responsabilidade social.  Finalmente, o último tema “Gênero” foi também brilhantemente abordado por Angélica Tostes (militante da REJU – Rede Ecumênica da Juventude), iniciando uma discussão indispensável sobre esse assunto tão amplamente discutido, porém, ainda muito longe de receber o entendimento acertado e o merecido acolhimento.

Também com muita participação dos presentes teve que ser interrompida (após já ter passado do prazo estipulado) pois os grupos convidados para as apresentações da “Dança dos Orixás” e da “Dança Xamânica” já estavam a postos. Quando os convidados começaram a chegar para o evento noturno, o músico Nader Shaikhzadeh Vahdat os recebia tocando lindamente seu violino e emocionando a todos. Enfim, com todos devidamente ocupando seus lugares, a mestre de cerimônias, dra Rose Zerefino, fez a abertura oficial do IV Fórum Inter-religioso de Santo André. O Presidente da Câmara Almir Cicote e o Vice-Presidente Luiz Zacarias realçaram a importância desse evento, enfatizando a necessidade da continuidade deste diálogo baseado na fé e no amor.

O Babalaô Ronaldo Linares fez a fala de abertura ressaltando a importância do Fórum para a cidade e, emocionado, relatou as experiências vividas durante esse diálogo inter-religioso e como essas atitudes repercutem na sociedade. Vivemos três momentos excepcionais quando fomos presenteados pelas apresentações dos Corais: Meimei (CEOS – Centro Espírita Obreira do Senhor) e da Igreja Luterana, que enterneceu a todos, enchendo nossos corações de júbilo, além da Dança Cigana que animou a todos colorindo e alegrando o ambiente com sua música envolvente e suas roupas coloridas.   Sem esquecer do lindíssimo solo de violino enquanto o grupos se preparavam.

Tivemos uma breve apresentação de todas as lideranças religiosas presentes, quando oportunamente, puderam deixar suas mensagens de fé e principalmente de amor ao próximo, ao meio ambiente e aos diferentes, exercitando a resiliência e os ensinamentos divinos, em prol de uma sociedade sofrida mas jamais desesperançosa, pois quem tem fé e amor no coração, não anda só e nem nas trevas.

Tânia Gori fez uma importante explanação sobre “Responsabilidade Social” – tema deste Fórum – e Ademir Mendes leu a carta de princípios deste Fórum.

Para finalizar o Dema (Valdemir Marçola) leu um poema lindíssimo de Bráulio Bessa falando sobre intolerância religiosa, encerrando o evento com calorosos aplausos da plateia, além de deixar em todos os gostinho de “quero mais”. A todos os participantes do Fórum, ao público carinhoso que compareceu e prestigiou o evento e municipalidade andreense, nossos mais sinceros agradecimentos.

Babalaô Ronaldo Linares

Artigo Publicado no Jornal da Aldeia – Edição 71

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