Homenagem ao Dia da Umbanda


Num início de noite ainda ensolarada por causa do horário de verão a Câmara Municipal de Santo André teve a honra de receber umbandistas e candomblecistas para a comemoração do Dia Nacional da Umbanda.  Em meio a pureza do branco havia uma profusão de cores e estampas deixando o recinto alegremente solene.

A cerimônia teve por objetivo (além da celebração do dia da Umbanda) homenagear personalidades que têm, de alguma forma ao longo do tempo, prestado trabalhos relevantes para a religião.

Responsável pelo evento, o vereador Alemão Duarte fez a abertura da Sessão Solene ressaltando seu respeito pela Umbanda e Candomblé e por todos os presentes.  A Federação Umbandista do Grande ABC indicou para serem homenageados:

Babá Dirce Paludetti Fogo Iniciada na Umbanda em 1970, inscreveu-se para o Curso de Formação Sacerdotal da Federação Umbandista do Grande ABC formando-se sacerdotisa umbandista.  Nestes 45 anos de vida religiosa ocupou os cargos de Vice-Presidente e Diretora Espiritual na mesma entidade.

Atualmente está à frente da Casa de Pai Benedito de Aruanda – templo-sede da Federação Umbandista do Grande ABC, localizada em São Caetano do Sul, que atende, em media, 600 pessoas por semana para atendimento espiritual

Dr. Hédio Silva Jr – Advogado, mestre em Direito Processual e doutor em Direito Constitucional pela PUC-SP.  Conferencista e autor de teses, livros e artigos sobre liberdade de crença, intolerância religiosa, igualdade racial e ações afirmativas.  Advogado das religiões afro-brasileiras no Supremo Tribunal Federal e na Corte Interamericana de Direitos Humanos (Costa Rica).  Consultor Jurídico da Federação Umbandista do Grande ABC/FUGABC.  Ex-Secretário de Justiça do Estado de São Paulo (2005-2006).  Atualmente tem brilhado nas defesas para o “Direito de Resposta” na TV Record.  Por dificuldades de agenda Dr. Hédio foi representando por seu filho dr. Kayodê Ferreira Silva.

Entre as entregas dos troféus tivemos apresentações de atabaque quando entoamos o Hino a Umbanda e depois com um ponto de Caboclos com a participação literal dos presentes, dançando no centro da Câmara e deixando o ambiente muito alegre e festivo.

Convidado ao microfone fiz questão de fazer um agradecimento especial aos que caminharam ao nosso lado neste ano, prestes a findar, porém muito produtivo e valoroso.

Um agradecimento especial ao Vereador Alemão Duarte e ao Deputado Vicentinho, por sua perseverança na luta pela nossa causa, na forma responsável com que tem atuado e na efetividade de suas ações, conseguindo em uma brilhante jornada, aprovar nas duas Câmaras o Dia Nacional da Umbanda, estando agora em nova jornada pelo reconhecimento do dia Nacional do Candomblé.  Tenho muita fé em Xangô que não demorará para que estejamos novamente reunidos em Brasília festejando mais essa conquista.

Por falar em Xangô, fiz um aparte para revelar a todos um detalhe pessoal.  E revelei essa historinha:

Ainda adolescente, forte e ágil como todos os jovens, estava na casa de meu Pai Joãozinho d’Goméia quando ele abriu os búzios pra mim falou que era filho de Xangô.

  • O que??! – perguntei surpreso.
  • Isso mesmo. – respondeu tranquilamente.

 Como assim?  Pensei.  Isso só pode estar errado.  Eu? Logo eu?  Tão jovem, corajoso, destemido!  Tenho que ser filho de Ogum!  Aí tem coisa errada…

Em sua sabedoria, Pai Joãozinho apenas disse:

  • Não sou eu quem está dizendo…

Não me convenci.  Fiquei acabrunhado, meio emburrado.. confesso que saí dali batendo os calcanhares no chão.  Pensando:  isso deve estar errado…

Agora, depois de todos esses anos e aqui diante de todos vocês, pergunto: 

– Tem alguma semelhança entre mim e um velho, baixo e careca?  É gente, a espiritualidade sabe de tudo!

Todos riram bastante e fiquei feliz em estar ali naquele momento, diante de meus irmãos de fé num ambiente festivo, colorido e agradável.  Irmãos na religião que abracei e a quem dediquei a maior parte da minha vida.  Falei das nossas conquistas, das nossas dificuldades e das nossas lutas.  Havia no ar uma troca de energias tão intensa que, por um instante, aquele momento me pareceu um lugar eterno, um momento de prazer daqueles que nunca mais esqueceremos.

Percebi que estava falando demais, pedi desculpas ao público sorridente e concluí minha fala dizendo que há muito, muito tempo atrás éramos perseguidos pela polícia e hoje, quando comemoramos 110 anos da nossa amada Umbanda, estamos todos reunidos, sendo calorosa e respeitosamente recebidos numa casa de leis.

Passei a palavra ao vereador que, antes de encerrar a sessão se colocou à nossa disposição, à disposição das religiões de matriz africana, aos praticantes da Umbanda e do Candomblé.  Tenho certeza de que Pai Zélio de Moraes tem muitos motivos para se orgulhar da religião que fez nascer e que tanto amou.

Salve nossa Umbanda Querida!  Saravá

 Babalaô Ronaldo Linares

Texto publicado no Jornal Aldeia de Caboclo – Ano 8 – Nº 75 P. 4 e 5 – Nov. 2018

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