Enredo com Orixás vence no carnaval paulistano


Um espetáculo de cores e coreografias iluminou o sambódromo de São Paulo, apresentando “Oxalá Salve a Princesa! A Saga de uma Guerreira Negra”. O enredo apresentou a representação dos Orixás, Deuses africanos, contando a história de uma princesa negra que foi escravizada e sofreu as mazelas do cativeiro.

(Imagens extraída de desfile transmitido pela Rede Globo de TV)

Exú sempre vem na frente, assim reza a tradição. E não foi diferente no desfile na Escola de Samba Mancha Verde que venceu o Carnaval de São Paulo 2019.

(Imagens extraída de desfile transmitido pela Rede Globo de TV)

Invocando Xangô, o Senhor da Justiça, e Oxum, a Rainha de toda riqueza, o clamor aos pés de Oxalá pela libertação da princesa escravizada.  O enredo representa uma verdadeira aula de história para os mais atentos e observadores. A história de nossa gente, do próprio Brasil. A história do nosso povo que se confunde com a história do povo africano, de suas lutas em solo brasileiro para manter sua cultura e valores, da luta do povo negro para manter suas crenças religiosas.

(Imagens extraída de desfile transmitido pela Rede Globo de TV)

Assim como a Mancha Verde em São Paulo, no Rio de Janeiro, a Mangueira também ganhou seu 20º título com um enredo que lembrava heróis brasileiros esquecidos:  índios e negros.  Desconstruindo a história, a escola lembrou a todos a real história do Brasil desde seu descobrimento.

(Imagens extraída de desfile transmitido pela Rede Globo de TV)

Parabéns às vencedoras, cujos temas mais do que atuais e relevantes, mexeu com o emocional de toda população, fazendo-as merecedoras de seus títulos.

Saravá Nosso Pai Oxalá!

Enredo da Mancha Verde:

“Oxalá, Salve a Princesa! A Saga de Uma Guerreira Negra”

Tambores vão ecoar, a festa vai começar
O meu batuque traz a força do terreiro
A mancha verde é kizomba, amor
Salve a princesa! Viva o povo negro!

Tambores vão ecoar, a festa vai começar
O meu batuque traz a força do terreiro
A mancha verde é kizomba, amor
Salve a princesa! Viva o povo negro!

O ora ie ie ô ora ie ieu mamãe Oxum
Um ventre de luz, o fruto do amor
Kaô kabecilê Xangô
África, suntuosa riqueza
África, reluz o encanto e a nobreza

A fé conduz o Congo a lutar
Tristeza marejou meu olhar
Oh Senhor, tem piedade
Dos corações sem liberdade

A alma que chora, a pele que sangra
Qual será o meu valor?
Entrego minha vida
Rainha do mar, Iemanjá

A alma que chora, a pele que sangra
Qual será o meu valor?
Entrego minha vida
Rainha do mar, Iemanjá

Aportei, na terra do Sol e do maracatu
Vidas no suspiro derradeiro
Na fria solidão do cativeiro
Mãos calejadas a lavourar
Não perdi a fé nos Orixás

Senhora do Rosário, oh, Nossa Senhora
Aos pés do seu altar, clamo a igualdade
Palmares, vi um céu de luz e liberdade
A força de Zumbi a nos guiar
Nas bênçãos de Oxalá

 

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