Tô voltando!


Como já disse Chico Buarque de Holanda:

“Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor, que eu TÔ VOLTANDO!”

Pois bem pessoal, quero esclarecer a todos, que, em consequência de uma atrevida bactéria que se instalou “como posseira” no meu coração, estive fora de circulação por cinco semanas internado em hospital para tratamento. Cinco longas semanas que me tiraram de meus afazeres cotidianos, para mim indispensáveis, entre eles o de estar todos os dias no Santuário Nacional da Umbanda.

Quem tem a felicidade de não ficar hospitalizado ou de não ser acompanhante de alguém internado, não imagina que um dia no hospital é tão movimentado como um dia de trabalho normal: “remédios de horário”, medição de sinais vitais, visitas diárias de médicos, nutricionistas, fisioterapias, horário para andar, café, almoço, café da tarde, jantar, chá antes de dormir, limpeza do quarto… ufa! Descansar fica para quando tiver alta.

Apesar de tanta movimentação, consegui algum tempinho (nessas cinco longas semanas) para pensar um pouco e refletir (algo que também é difícil quando a rotina te obriga a pensar sempre na próxima ação que tomará). Pensar na vida, nas suas prioridades, nos seus projetos, enfim… fazer um balanço, já que tem que aproveitar seu tempo (que lhe parece perdido) para algo útil.

Pois bem, após cinco semanas percebi que o Santuário e eu, ou eu e o Santuário Nacional da Umbanda, somos um só elemento. Guardadas as devidas proporções de uma vida familiar e particular necessária e indissociável de quem sou também, o Santuário Nacional da Umbanda é a outra parte de mim, uma parte que me equilibra e me mantém na missão que me foi confiada.

O tratamento foi tão satisfatório que surpreendeu a médica “Por causa da idade”– ela disse.
“Como assim por causa da idade doutora? Perguntei. “Só por causa desses brancos fios de cabelos rebeldes que insistem em me deixar? Ou por causa dessas ruguinhas que insistem em se instalar”?
Depois de um largo sorriso, veio a resposta que me deixou ainda mais animado:
“Provavelmente por causa desse bom humor que lhe acompanha e esse alto astral que muitos jovens atualmente não conseguem manter”.


Enfim, liberado depois da expulsão da bactéria “posseira”, fui informado pelos médicos que me atendiam que deveria tomar alguns cuidados e que só poderia voltar à minha vida normal (em razão da internação) dentro de uns dois meses. Agora já estou voltando e pensando nas próximas atividades, incluindo a próxima Festa à Iemanjá.

Agradeço as manifestações solidárias recebidas nesse período, as preces e todas as boas energias emanadas para que eu vencesse essa dificuldade e que, com toda certeza me ajudaram!

Iniciei minha conversa com Chico Buarque e encerro com Roberto e Erasmo Carlos:
“Eu voltei agora pra ficar, porque aqui, aqui é meu lugar”!

Fiquem com meu saravá fraterno.

Babalaô Ronaldo Linares

Texto publicado no Jornal Aldeia de Caboclo – Edição 81 – Junho 2019.

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