Santuário Nacional da Umbanda agora é patrimônio cultural imaterial do Estado de São Paulo


O Santuário Nacional da Umbanda, de Santo André, foi registrado como patrimônio cultural imaterial após decisão do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT). O registro foi homologado pelo Secretário de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão, no dia 21 de dezembro de 2019, no Diário Oficial do Estado de São Paulo

GT do Tombamento no dia da aprovação, no CONDEPHAAT em fevereiro 2019

Foto: Facebook.com/gtterreirostombadossp

 Esse registro prevê a proteção do perímetro do Santuário e das áreas de referências para as práticas religiosas – todos os locais Sagrados dentro do Vale dos Orixás, e destaca ainda:

“Que o Santuário Nacional da Umbanda se configura como um espaço de referência para as práticas umbandistas, sendo historicamente utilizado para este fim desde a década de 1960, antes mesmo da existência de uma estrutura para tanto;

Que a história de formação e desenvolvimento do Santuário é um importante capítulo da história de formação da Umbanda em São Paulo;

Que o local congrega em seu espaço as práticas de diversos terreiros de Umbanda do Estado de São Paulo em um único lugar;”

GT do Tombamento em reunião no Ilê Afro-Brasileiro Odé Lorecy em maio 2018

Foto: Facebook.com/gtterreirostombadossp

 Além do Santuário, houve o tombamento de cinco terreiros de candomblé do Estado de São Paulo, são eles:
– a Casa de Culto Afro-Descendente Dambala Kuere Rho Bessein, de Santo André
– o Terreiro de Candomblé Santa Bárbara, de São Paulo; o Ilê Afro Brasileiro Ode Lorecy, de Embu das Artes
– o Templo de Culto Sagrado Tatá Percio do Battistini Ilê Alaketu Ase Ayra
– o Centro Cultural Ilê Olá Omi Ase Opo Araka, ambos de São Bernardo do Campo.

GT do Tombamento na Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo em junho 2018

Foto: Facebook.com/gtterreirostombadossp

 

 

GT do Tombamento no Ilê Alaketu Asé Airá em abril 2018

Foto: Facebook.com/gtterreirostombadossp

 

Com o tombamento, os terreiros passam a ser protegidos pelo Poder Público, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados.

 

PATRIMÔNIO MATERIAL x IMATERIAL

Patrimônio é um bem, expressão ou espaço que seja considerado de importância para a Identidade Nacional, sejam eles de expressão artística, cultural ou religiosa.

As formas de expressão, os modos de criar, as criações científicas, artísticas ou tecnológicas, as obras, objetos, documentos ou edificações, tudo isso é considerado pela nossa Constituição Federal como patrimônio. Locais tais como conjuntos urbanos ou sítios com valores históricos, ecológicos, arqueológicos e científicos, são considerados também patrimônio.

Os considerados patrimônio material são os palpáveis, tais como, construções e edificações, acervos e arquivos. Assim, os museus, casas de cultura, igrejas e monumentos são exemplos de patrimônio material.

Neste caso, os terreiros de candomblé tombados são considerados patrimônio materiais pela sua organização interna dos espaços, como barracões, roncó, quartos de santo, objetos dos orixás, além das práticas litúrgicas.

GT do Tombamento na Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo em abril 2018

Foto: Facebook.com/gtterreirostombadossp

 

Já o patrimonial imaterial são os bens considerados intangíveis, como os saberes, habilidades, práticas de uma comunidade, rituais, festas, etc. O frevo, a capoeira, o maracatu e os samba no Rio de Janeiro são exemplos de patrimônio imaterial.

Desta forma o Santuário se consagra patrimônio imaterial de São Paulo, como um espaço histórico de importante relevância cultural e religiosa, parte da memória e história do Estado de São Paulo.

 

O ESFORÇO PARA A CONQUISTA

Desde 2013 os processos tramitam e passaram por diversas etapas. O Grupo de Trabalho de Territórios Tradicionais de Matriz Africana Tombados de São Paulo, criado em 2018, ajudou de forma substancial a construir um caminho qualificado entre a sociedade civil e o poder público para defender esta causa e atingir esta conquista. A participação, organização e articulação das autoridades tradicionais de matriz africana, da academia e dos órgãos de patrimônio na organização do processo foi fundamental para esta vitória.

GT do Tombamento no Santuário Nacional da Umbanda em dezembro 2018

Foto: Facebook.com/gtterreirostombadossp

 

Destacamos que este foi um esforço em conjunto dos representantes dos 5 terreiros tombados e do Santuário Nacional da Umbanda, com o auxílio e orientações do Professor Vagner Gonçalves e Pedro Neto e apoio dos técnicos dos órgãos competentes.

GT do Tombamento na Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo em novembro 2018

Foto: Facebook.com/gtterreirostombadossp

 

Nosso agradecimentos a todos os envolvidos no processo, sobretudo ao Professor Dr. Vagner Gonçalves Silva e a Pedro Neto pelo auxilio técnico e ações academicamente conjuntas entre sociedade civil e os órgãos de patrimonialização; a Profa. Elisabete Mitiko Watanabe agradecemos a todxs servidores e profissionais da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico – UPPH e demais Unidades da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. Agradecemos também o egrégio Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico, e Turístico do Estado de São Paulo – CONDEPHAAT.

GT do Tombamento no Terreiro de Candomblé Santa Bárbara em outubro 2018

Foto: Facebook.com/gtterreirostombadossp

 

O Santuário Nacional da Umbanda e nosso Babalaô Ronaldo Linares parabeniza a todxs pela conquista e expressa nossa imensa gratidão pelos esforços destes longos 7 anos de luta!

GT do Tombamento na Sede da Superintendência do IPHAN (São Paulo) em fevereiro 2018

Foto: Facebook.com/gtterreirostombadossp

Maria Aparecida

Relações Institucionais e Comunicação

Santuário Nacional da Umbanda

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