Epidemias: coronavírus e os cuidados nos templos


Estamos sempre voltados para os conhecimentos religiosos e a administração dos templos. E isso é muito bom e importante, afinal, sem uma boa administração e sem uma base filosófica e teológica sólida, nenhuma instituição religiosa cumprirá bem do seu papel de fazer caridade e ajudar ao próximo. Contudo, não podemos descuidar de pequenos detalhes, que mais interessam a saúde pública, do que propriamente aos viés religioso dos templo: são os cuidados com a higiene e a limpeza.


O coronavírus chegou na China no final do ano passado e já apavora a comunidade global, com  mais de 72 mil casos confirmados na China, tendo mais de 1.800 mortes pela doença quando escrevi este texto. E já se espalha pelo mundo. No Brasil já há casos confirmados e o sinal de alerta foi acionado.


Mas, o coronavírus não é o vilão da história por aqui. Temos casos reais de problemas de saúde pública no Brasil: a dengue já matou quase 700 pessoas no Brasil, tendo 596,38 mil casos confirmados em 2019, segundo informações do portal de notícias, G1. Além da dengue, chikungunya e zica vírus assolam. A febre amarela, a sífilis, a gripe e a sarampo têm se alastrado.


Epidemias fazem parte de uma triste realidade, sempre presente em diversos momentos da história da humanidade. Estima-se que a peste bubônica, também chamada de peste negra (pelas manchas que deixaram no corpo), tenha devastado um terça da população da Europa no século XIV. Esta foi a mais terrível mas não foi a única. Desde Atenas na Grécia em 428 a. C., há vários outros momentos históricos como no Império bizantino no ano de 542 d. C. pestes epidêmicas assolam a humanidade, que nestes períodos não possuíam a noção de higiene,nem os controles epidemiológicos que temos hoje.

E OS TEMPLOS DE UMBANDA, O QUE TEM A VER COM ISSO?
Devemos procurar ter uma postura ativa de combate a essas ameaças invisíveis. As ervas que geralmente são plantadas em nossos templos, podem ter acúmulos de água nos pratinhos. Os quintais, as garagens e os depósitos precisam ser verificados periodicamente.

E como recebemos muitas pessoas para serem atendidas, incluindo pessoas doentes que buscam uma cura, todo cuidado com a higiene deve ser observado. Lavar as mãos ao chegar no templo e principalmente antes e depois dos atendimentos. Se o consulente apresenta sintomas de doenças físicas deve ser aconselhado a procurar também um médico, afinal, a cura espiritual caminha junto com a medicina. Nem tudo é espiritual é necessário ter cautela quando se trata de sintomas físicos.

Locais onde há acumulo de pessoas deve ser sempre muito arejado, sobretudo, com o uso de defumadores e velas. O atendimento as pessoas é uma oportunidade de diálogo também. Alguns templos tem o hábito de terem palestras. Então, que nestes diálogos busquemos a conscientização também destas questões de saúde, afinal, a espiritualidade precisa de um corpo saudável também para atuar.

O compartilhamento de copos e talheres devem ser evitados. E cada um pode ser estimulado a levar seu próprio copo, diminuindo assim o consumo de descartáveis. A natureza agradecerá este ato.

Se algum médium está gripado, ou mesmo com qualquer doença infecto contagiosa, deve comunicar ao seu dirigente, e nos parece prudente abster-se de atendimentos nestes dias. Pois em tempos de tantos vírus, até mesmo o pedir a benção como ato respeitoso de beijar a mão, deve ser avaliado. Será que poderíamos pedir a benção sem o contato do lábio nas mãos, para evitar que muitas bocas beijem o mesmo local e evitemos contaminações? Afinal, o respeito e a devoção está muito mais no coração. Assim que a situação estiver normalizada, volta-se à prática de pedir a bênção beijando-se a mão do sacerdote. Em tempos de crise
atitudes adequadas e inteligentes são também atitudes espiritualizadas, pois é, antes de tudo,
pensar no próximo e preocupar-se com a sociedade em que se vive.

Paz e Saúde à todos!
Maria Aparecida Linares
Relações Institucionais e Comunicação

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