VIDAS NEGRAS IMPORTAM


Demorou 132 anos para que sociedades de todos os países enfim gritassem a plenos pulmões: VIDAS NEGRAS IMPORTAM!!!

Não bastou arrancá-los de sua pátria; afastá-los de suas famílias; tirar-lhes a liberdade; trata-los pior do que aos animais; chegou-se a conclusão de que não eram mais necessários e então… nada de desculpas, nada de remorsos, nenhum interesse, nenhum apreço. Simplesmente lançados à margem da sociedade, deixados à sua própria sorte e ainda pior, como se fossem inferiores aos seus semelhantes.

Manifestante segura cartaz com rosto de George Floyd durante protesto em Nova York – 03/06/2020 REUTERS/ Caitlin Ochs/Reuters

ATRAVÉS DOS TEMPOS

A sociedade mudou. A ciência e a tecnologia evoluíram. O ser humano fez coisas horríveis e maravilhosas. Mas o conjunto de teorias e crendices sobre os negros por uma grande parte da da população foi uma das poucas coisas que continuou como eram em 1888, vitimando homens, mulheres e crianças, ceifando suas vidas ou fazendo com que sofressem todo tipo de humilhação daqueles que acreditam ser melhores ou superiores.

Isso é o que acreditam os que se dão o direito de discriminar, que se permitem ser intolerantes, quando na realidade são apenas pobres almas. Pobres criaturas acorrentadas aos seus próprios medos e transtornos que, atormentados por sentimentos de inferioridade, encontraram alguém para culpar.

Muitos foram martirizados para que outros pudessem subir mais alguns degraus na escada da igualdade. A luta contra o preconceito no Brasil fez surgir a Lei de nº 7.716 de 05 de janeiro de 1989 tipificando o racismo como crime. Mas de que vale uma Lei quando quem a julga é racista e tem o poder de descaracterizar a situação? Não é fácil ser negro em lugares onde o poder do branco é absoluto. Não importa se são poucos ou muitos, pois o branco é geralmente quem decide.

UM FARDO MAIS DO QUE INJUSTO

Nada mais injusto do que deixar a cargo do oprimido o compromisso de livrar-se sozinho do seu opressor. Incumbir a criança maltratada de livrar-se do agressor; deixar à mulher vítima de violência a responsabilidade de libertar-se do homem violento; deixar a cargo apenas do negro o dever de inibir e aniquilar o racismo. Não! Isso está errado. Jamais desmerecendo sua luta nem tampouco tirando-os do protagonismo, há uma parte da população disposta a acompanha-los em sua luta e nós fazemos parte dela.

Logo após a horrível morte de um americano, choramos por um brasileiro de apenas cinco anos, o Miguel Otávio Santana da Silva, que caiu do 9º andar do prédio que estava porque a primeira-dama Sari Corte Real não pôde perder alguns minutos de seu precioso dia para olhar o filho da sua “empregada” (mãe do pequeno Miguel) após mandá-la passear com seu cachorro.

Nos causa revolta e indignação fatos como estes!

A COMPREENSÃO NECESSÁRIA

Felizmente havia um inconsciente coletivo se formando. Quando a gota d’água que faltava, ou seja, a morte estúpida e inexplicável de George Floyd, fez levantar toda a população, primeiro nos EUA, e rapidamente em outros continentes, assumindo que esta é uma luta de todo ser humano, não existe negro, branco, ou amarelo, somos todos seres humanos de passagem nessa vida terrena, tentando dar o melhor de cada um e muitos têm conseguido.

UMA MUDANÇA DE HÁBITOS

Como já mencionei o primeiro passo foi dado, e o segundo? Você sabe o que fazer agora? Após ir às ruas exigindo justiça, após deixar claro a posição de uma sociedade saturada com tanto desequilíbrio social, que tal iniciarmos uma nova etapa de costumes? O que poderá fazer a diferença?

  • Você já fez um balanço se frequenta e divulga lojas que sejam de empresários negros?
  • Você já teve a curiosidade de ler autores negros?
  • As personalidades que você admira, sejam músicos, cientistas, médicos, personalidades das mais diversas áreas, quantos deles são negros?
  • Você já teve o interesse em buscar informações sobre personalidades negras, o que fizeram e por quê?
  • Você já “se pegou” numa roda de amigos, num dia qualquer, e alguém “puxou” o assunto e iniciaram uma conversa sobre racismo, intolerância e discriminação?

Parecem coisas óbvias mas não são. Sair às ruas é importante sim para chamar a atenção de todos e para expor uma situação incorreta. Porém podemos fazer muito mais. A atitude individual de cada um de nós é responsável por uma sociedade mais igualitária.

RACISMO X PANDEMIA? ou RACISMO PÓS PANDEMIA?

Nada é simples, principalmente quando se trata das relações humanas. Estamos em meio a uma terrível pandemia, muitos de nós já se foram, outros em tempo de espera e outros tantos nem sabem que serão os próximos. Enquanto isso, muitos ressurgem das cinzas para continuar suas jornadas, mesmo quando não mais inspiravam esperanças. Alguns acreditam que quando a pandemia passar as pessoas estarão diferentes, mais conscientes e evoluídas. Outros acreditam que tudo retornará ao que era antes porque as pessoas não serão capazes de mudar.

Eu creio que há um propósito para tudo, mas também não consigo deixar de pensar que para algumas pessoas essa experiência não as mudará em nada. Mas sim, o mundo está mudando, muitas pessoas estão finalmente despertando para o que realmente importa. Infelizmente ainda choraremos por mais “Georges Floyds” ou por “Migueis Otávios”, mas o primeiro passo foi dado: a mobilização contra o racismo e por direitos iguais envolvendo uma sociedade farta de abusos, arbitrariedades, cinismos e arrogâncias.

Finalmente, em diferentes idiomas e através de muitos cidadãos, uma única frase ecoa por todo o planeta:

V – I – D – A – S  N – E – G – R – A – S  I – M – P – O – R – T – A – M ! ! !

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